
A complexidade da sociedade contemporânea exige a comunicação e transferência de conhecimento entre cientistas, pesquisadores, professores, estudantes. Diferentemente da era moderna, hoje a ciência reconhece a necessidade de abordagens interdisciplinares para dar resposta a problemas complexos tais como, alterações climáticas, extinção de espécies, desequilíbrios no ecossistema, desequilíbrios sociais, violência, pandemias. Cresce assim, a busca por novos campos de estudo e pesquisa, como: biotecnologia, sustentabilidade e meio ambiente, engenharia genética, ecologia, bioética, entre outros. Campos de estudo de abordagem interdisciplinar por natureza.
Tais problemas de pesquisa científica, levam à discussão sobre a multidisciplinaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade. Entretanto, é preciso cuidado com o encantamento provocado por expressões que no furor da novidade, acabam sendo confundidas ou utilizadas inadequadamente reduzindo-as a mais um modismo.
Assim, é importante esclarecer o que são esses conceitos. Para introduzir o tema, escolho como autor de referência, o Nicolescu que conduz o Centro Internacional de Pesquisas e Estudos Transdisciplinares, onde se pode encontrar a tradução para o português da “Carta da Transdisciplinaridade“.
Faço uma síntese (muito sintética) do que é para o Nicolescu, multidiscipliaridade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade:
Multidisciplinaridade: representa a pesquisa, ou trabalho que envolve várias disciplinas simultaneamente mas essas não necessariamente se enriquecem umas com as outras.
Interdisciplinaridade: convergência de duas ou mais áreas. Há transferência de métodos entre as áreas.
Transdisciplinaridade: se refere ao que está entre as disciplinas, através das disciplinas e além de toda a disciplina. Objetiva a unidade do conhecimento. Aí entra a visão da complexidade (Morin, Maturana, Capra e outros)
Fonte:
NICOLESCU. The Transdisciplinary Evolution of the University. Bangkok. 1997. Disponível em: <http://nicol.club.fr/ciret/bulletin/b12/b12c8.htm>.
Mario Bunge e a especialização científica em texto dos anos 1950/1960:
La investigación cientifica es especializada: una consecuencia del enfoque analítico de los problemas (científicos) es la especialización. No obstante la unidad del metodo científico, su aplicación depende en gran medida, del asunto; esto explica la multiplicidad de técnicas y la relativa independencia de los diversos sectores de la ciencia. [...]
La especialización no ha impedido la formación de campos interdisciplinarios, tales como la biofísica, la bioquímica, la psicofisiologia, la psicologia socia, la teoría de la información, la cibernética, o la investigación operacional. Con todo, la especialización tiende a estrechar la visión del científico individual; un único remedio ha resultado eficaz contra la unilateralidad profesional, y es una dosis de filosofia. (BUNGE, 1996, P.25-26)
BUNGE, Mario. La ciencia, su metodo y su filosofía. Santafé de Bogotá: Panamericana Editorial, 1996.
- Outros documentos e links sobre o tema:
BRASIL. Luiz Bevilacqua. CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal. Relatório do Grupo de Trabalho da Área Interdisciplinar. Infocapes Boletim Informativo. Vol.9 – Nº 2 e Vol. 9.3 Brasília, 2001.
BEVILACQUA, Luiz. Relatório do Grupo de Trabalho da Área Interdisciplinar In: Pós-Graduação: Enfrentando Novos Desafios. Boletim Informativo da CAPES. Vol.9 – Nº 2 e Vol. 9.3. – Brasília, CAPES, 2001.
HOFF, D.N.; DEWES, H.; RATHMANNN, R.; BRUCH, K. L.; PADULA, A. D. Os desafios da pesquisa e ensino interdisciplinares. Revista Brasileira de Pós-Graduação, Brasília, DF, v. 4, n. 7, p. 42-65, julho de 2007.
LEIS, Héctor Ricardo. Sobre o conceito de interdisciplinaridade. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas, América do Sul, 6 13 06 2008. Disponível em: < http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/cadernosdepesquisa/article/view/2176/4455>.
A CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO E A INTERDISCIPLINARIDADE
A interdisciplinaridade da CI é consenso entre estudiosos da área, como Le Coadic, Saracevic, Pinheiro, Gonzalez de Gomez. É possível imaginar que a interdisciplinaridade e até a transdisciplinaridade se tornem o caminho natural para o desenvolvimento do conhecimento técnico e científico. Afinal, como define Saracevic, “problemas complexos demandam enfoques interdisciplinares e soluções multidisciplinares”.





